(Foto: Acervo Pessoal)

Jonathan José da Silva, de 29 anos, acordou nesta segunda-feira como se tivesse nascido de novo. Pai de uma filha, desempregado, mora numa casa simples no bairro Jardim São Luís, em Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo. Na véspera, escapou da morte a poucos metros do estádio Couto Pereira, em Curitiba, onde foi acompanhar uma das paixões da vida dele, o Corinthians. Baba, como é conhecido pelos amigos, vítima de linchamento por oito torcedores da Império Alviverde, procura uma explicação racional para tamanha fatalidade e só encontra uma resposta: “Deus foi meu escudo. Ele me salvou da morte”.

Evangélico, pintor de paredes, Jonathan é descrito pelos amigos como um sujeito tranquilo, amigo, companheiro e prestativo. “Um cara do bem”, explica Euclides Nogueira, dono do Bar do Corintiano e organizador da caravana para Curitiba. Kiko (apelido de infância) também tem um trabalho de recuperação de drogados e uma clínica religiosa. Nogueira serviu de interlocutor entre esse blog e Baba. “Quando chegamos no bairro, domingo à noite, todas famílias estavam nos esperando. Foi uma choradeira geral. Teve mãe que desmaiou. Esposas e filhas passaram mal. Aí, então, caiu a ficha para todos nós. Escapamos por um milagre”, analisou.

Baba, já conhecido como o Imortal da Fiel, “travou” nessa segunda-feira. Está extasiado, chocado, com as últimas 48 horas. No entanto, lembra direitinho de tudo o que ocorreu. “Eu estava no primeiro ônibus, apedrejado pela torcida. Fui, então, para outro busão. Fiquei na porta. Na curva, me acertaram com uma pedra no rosto. Fiquei tonto, senti me puxarem e caí no asfalto. Percebi a gravidade da situação e procurei defender a cabeça. Em nenhum momento perdi os sentidos. Fiquei consciente e pude me defender um pouco”, revelou.

Já Kiko conta detalhes do resgate. “Voltamos correndo. Vimos o estado dele. Estava acordado e respirando bem. Os bombeiros chegaram e o levaram para um hospital. Na hora, tentando nos defender dos ataques do pessoal da Império, nem perguntamos para onde ele seria levado”. Baba, por sua vez, lembra de tudo. “Cheguei no Pronto Socorro e logo me atenderam. Tiraram raio-X e fizeram outros exames. Não sei dizer quais. Levei cinco pontos no olho esquerdo. Sentia dores no peito. As chapas não acusaram nada”, revelou.

 

Médicos aplicaram injeções de anti-inflamatórios (agora está tomando via oral, em casa) e o dispensaram. “Me sentia bem. Tanto assim que fui para o jogo”, disse. Escapar de linchamento é raro. Segundo o especialista José de Souza Martins, autor do livro “Linchamentos, a justiça popular do Brasil”, da editora Contexto, de 2.579 pessoas, 1.150 são salvas pela polícia. As outras 1221 são pegas pelos agressores. Desse grupo, 64% morrem e os outros 36% sofrem ferimentos graves.

“Não estou com raiva e nem quero me vingar de ninguém. Dei azar. Vou por na conta da fatalidade. Vou continuar acompanhando jogos do Timão assim que me recuperar”, explicou. Kiko, por outro lado, adiantou que Baba está sendo cuidado pela comunidade do jardim São Luís. “O que ele precisar, faremos uma vaquinha. Com a gente é assim. Ninguém morre pagão. O pouco que temos, dividimos”.

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